Amanda Carneiro
3 min readSep 5, 2019

Depois de 8 meses parei pra escutar Avôhai. Eu não tinha conseguido ouvir essa música ainda. Essa música me traz da memória todos os bons momentos que tive do lado do meu pai. O bom humor dele, a graça que ele fazia, o fato de que ele sempre lembrava de trazer os meus lanchinhos preferidos, o fato de que ele nunca me deixou passar frio ou fome, o fato de que ele sempre me levou e me buscou de todos os lugares pra garantir que eu ia estar em segurança. Essa música me faz lembrar dele cantando enquanto dirigia em todas as nossas viagens em família. Essa música me faz pensar em tudo de bom que eu tenho e sou e que é por causa dele.

Avôhai.

Talvez isso não faça o menor sentido para quem não conheceu meu pai. Talvez isso não faça o menor sentido pra quem nunca esteve em uma de nossas viagens em família. Mas para quem conheceu e viveu ao menos uma dessas viagens, sabe. Aquela era a essência dele. Ele amava dirigir. Ele amava cantar. Ele amava Avohai. Ele amava fazer graça e fazer os outror rirem. Ele amava a família dele.

Avôhai.

Eu vi as propagandas de shows do Zé Ramalho aqui em Curitiba e pensei em trazer ele pra vir ver, mas eu acabava esquecendo, deixando para o próximo e no fim, eu devia ter feito isso na primeira oportunidade que tive. Talvez esse seja o arrependimento do que eu poderia ter feito e não fiz...

Avôhai.

Eu não fico lembrando o tempo todo que ele não está mais aqui. Eu já estava longe de casa a muitos anos, não via ele com tanta frequência, estava vivendo a vida enquando ele vivia a dele. Eu não fico pensando no dia que ele se foi, nem nos últimos meses de vida dele. Sabe que horas a minha ficha bate lá no chão? Quando vejo um artigo perdido sobre “À espera de um milagre” e penso: vou mandar isso pro meu pai, ele ama esse filme... Quando por acaso vejo a agenda de shows em Curitiba e lá está, Zé Ramalho e o show que nunca vou ver com meu pai... Quando vou assistir o live action de Rei Leão e só consigo pensar no quando meu pai ia amar esse filme, o filme e o suricatinho, ele adorava os suricatinhos... Quando estou comendo um bolo gelado de morango, que nunca mais vai ter o mesmo sabor.

Avôhai.

A saudade não surge a todo momento porque de vez em quando parece que se eu pegar o telefone e ligar, ele vai atender e provavelmente me dar uma bronca sobre alguma coisa. A saudade não vem todo o tempo porque enquanto eu era criança e adolescente ele estava muito presente, mais até do que eu queria na época. Ele sempre estava lá. Ele ia buscar meu boletim e me buscar na escola quando fui parar na diretoria. Ele estava lá. Sempre. Quando era coisa boa e quando era coisa ruim. Ele levava minhas amigas pra cima e pra baixo como se fossem filhas dele também. Ele sempre estava lá. Como agora não está mais?!

Hoje fazem 8 meses que não está mais.

Avôhai.

Amanda Carneiro

Engenheira de software, apaixonada por tecnologia. Amo arte, amo conhecer lugares novos e viver viajando é o que me motiva todos os dias.