Amanda Carneiro
4 min readMay 14, 2018

É fácil dizer que não precisa engatinhar quando você já está caminhando. É fácil esquecer que você também precisou engatinhar antes de sair andando. Ninguém simplesmente sai andando sem ter engatinhado primeiro.

O que quero dizer com isso?

O aprendizado que cada ser humano tem é regido pelas conexões neurais que ele consegue criar e sua capacidade de atingir objetivos. Alguns conseguem criar conexões mais rapidamente, outros nem tanto. Isso é válido para qualquer tipo de aprendizagem. E temos infinitas áreas de estudo e infinitas formas de aprendizagem, vou falar sobre o que me cabe: tecnologia e programação.

Por ser uma área baseadas em lógica, estruturas e leis matemáticas, pessoas envolvidas nesse meio costumam ter muito em comum, com estruturas de pensamento muito semelhantes, regras e métodos em comum, com medos, preconceitos, falhas e preocupações muito próximas, assim como a curva de aprendizagem, que é também normalmente, muito parecida.

E aí o que acontece quando um novato (ou newbie, como são conhecidos os inexperientes) tenta entrar nesse “clubinho” dos nerds, inteligentes, gênios da tecnologia? A não ser que ele seja extremamente inteligente e aprenda muito mais rápido que os demais, ele vai sofrer. Não vai só sofrer com a complexidade, com as inúmeras estruturas complicadas ou com fórmulas e regras, vai sofrer também com seus parceiros ou futuros parceiros de profissão, com seus mestres, com seus supervisores, com aqueles que poderiam ser um suporte.

Quando você é um programador experiente que já conhece várias linguagens de programação, frameworks que mal foram anunciados, técnicas de banco de dados que fazem milagres, é comum, é quase uma tarefa ordinária construir o tipo de estrutura que você constrói. É uma banalidade saber todos os comandos possíveis em uma determinada linguagem de programação. É fácil ver o mundo estruturado sob a lógica. E aquele que começou ontem? Será que ele vai fazer o mesmo caminho de aprendizado que você? Com certeza não. Será que ele vai ter as mesmas dificuldades que você? Ou a mesma estruturação lógica? Provavelmente não. É injusto exigir isso do outro.

Talvez alguém que senta do seu lado e tem uma lógica muito diferente da sua também esteja certo. Talvez você possa aprender alguma coisa com alguém que tem menos experiência que você. Talvez você possa ensinar algo para alguém também. E é nesse momento que é importante lembrar, antes de sair correndo você precisa de passos lentos e antes deles, precisa sim engatinhar. É no básico que a sua estrutura lógica, que é única e intransferível, vai ser construída. É engatinhando e ficando de pé devagar que seu cérebro vai conseguir criar as conexões neurais necessárias para que seu aprendizado e conhecimento sejam fundados, esse processo acontece de forma distinta para cada ser humano e é importante compreender e respeitar isso no outro.

Quanto mais etapas “pulamos” na hora de adquirir um conhecimento, maior a chance de cometer erros e mais fácil se torna criar hábitos ruins como programadores. É claro que dá pra pular da etapa “engatinhar” para a etapa “correr”, mas provavelmente você vai cair, seu cérebro precisa de experiências para criar as conexões neurais dos processos que você executa. O que isso quer dizer? Você precisa do seu processo de aprendizagem por inteiro para que o seu conhecimento seja completo. Dá para pular etapas, seja para “aprender mais rápido”, para “alcançar os outros” ou simplesmente porque você quer terminar o que está fazendo logo, mas o prejuízo nisso é a qualidade do que você faz, é a limitação do seu conhecimento e habilidades. Será que vale a pena? Acredito que não.

Se você é um bom programador e conhece muito mais do que quem está começando agora, será que não vale a pena esticar a mão e ajudar o outro a caminhar? Será que não vale a pena ajudar o outro a passar pelo processo completo de aprendizado em vez de cobrar velocidade de aprendizado? Com certeza você que já é experiente vai atingir o mesmo objetivo que um novato com muito mais precisão e velocidade… E se em vez de criticar ou cobrar algo que ainda não está ao seu alcance você o ajudar a chegar ao mesmo ponto de conhecimento em que você está? Te garanto, o conhecimento não é uma torta, se você dividir o seu com alguém, não vai sobrar menos para você.

Por fim, o que quero dizer é, olhe para o outro e tente ver qual é a dificuldade que ele está tendo para ficar em pé como programador, qual é a falha que ele comete que você pode ajudar? Olhe para você mesmo e tente ver se você pulou alguma etapa ou se está sofrendo para ficar em pé com algo e faça o esforço de caminhar mais devagar para aprender com mais calma. Não existe regra para o aprendizado, nós não somos estruturas lógicas prontas, estamos aprendendo a “andar” todos os dias. Todo novo conhecimento é uma nova caminhada e precisamos saber aproveitar isso.

Amanda Carneiro

Engenheira de software, apaixonada por tecnologia. Amo arte, amo conhecer lugares novos e viver viajando é o que me motiva todos os dias.